Duas das pessoas mais importantes da minha vida. Não seria o que sou hoje sem eles. Tantos passeios, tantas conversas... realmente essenciais.
sexta-feira, 3 de julho de 2009
Um bocadinho de mim
Duas das pessoas mais importantes da minha vida. Não seria o que sou hoje sem eles. Tantos passeios, tantas conversas... realmente essenciais.
Filipa Baptista
O Teu Lugar (pela vida adentro)
Letra e Música: Augusto Madureira
Já é noite e a esperança
É de novo uma criança
Dou por mim a perguntar
Se há um mundo mais azul
Mais a Norte ou mais a Sul
Onde te possa encontrar
Chegou a hora
Vou fazer outro poema
Não sei se valeu a pena
Construir-te em sonhos meus
Chegou o tempo
De entrar pela vida adentro
Não sei bem se te lamento
Só quero dizer-te adeus
Canto mais uma canção
Faço um filme de ilusão
Já nem sei se sei dançar
Bebo um copo de ansiedade
És mentira ou és verdade?
Já é dia
Desta vez não vou chorar
Construi-te em sonhos meus
Mas, sabes, depois do adeus
Acabei por acordar
E então fiz promessas vãs
Foram tantas as manhãs
Olho em volta
Sinto ainda o teu lugar
Todas as ruas do Amor
Se sou tinta
Tu és tela
Se sou chuva
És aguarela
Se sou sal
És branca areia
Se sou mar
És maré-cheia
Se sou céu
És nuvem nele
Se sou estrela
És de encantar
Se sou noite
És luz para ela
Se sou dia
És o luar
Sou a voz
Do coração
Numa carta
Aberta ao mundo
Sou o espelho
D’emoção
Do teu olhar
Profundo
Sou um todo
Num instante
Corpo dado
Em jeito amante
Sou o tempo
Que não passa
Quando a saudade
Me abraça
Beija o mar
O vento e a lua
Sou um sol
Em neve nua
Em todas as ruas
Do amor
Serás meu
E eu serei tua
Se sou tinta
Tu és tela
Se sou chuva
(Flor-de-Lis
Todas as ruas do amor
Letra: Pedro Marques / Música: Pedro Marques, Paulo Pereira)
Tu és tela
Se sou chuva
És aguarela
Se sou sal
És branca areia
Se sou mar
És maré-cheia
Se sou céu
És nuvem nele
Se sou estrela
És de encantar
Se sou noite
És luz para ela
Se sou dia
És o luar
Sou a voz
Do coração
Numa carta
Aberta ao mundo
Sou o espelho
D’emoção
Do teu olhar
Profundo
Sou um todo
Num instante
Corpo dado
Em jeito amante
Sou o tempo
Que não passa
Quando a saudade
Me abraça
Beija o mar
O vento e a lua
Sou um sol
Em neve nua
Em todas as ruas
Do amor
Serás meu
E eu serei tua
Se sou tinta
Tu és tela
Se sou chuva
(Flor-de-Lis
Todas as ruas do amor
Letra: Pedro Marques / Música: Pedro Marques, Paulo Pereira)
“Shattered Glass – Verdade ou Mentira”

O filme “Shattered Glass – Verdade ou Mentira” reflecte um olhar profundo e extremamente importante sobre o jornalismo enquanto profissão.
Baseado em factos reais, “Verdade ou Mentira”, relata-nos a história de Stephen Glass, um jovem de 26 anos, que entrou como estagiário para uma conceituada revista - “The New Republic”- e que rapidamente se tornou num excelente cronista, admirado por todos os colegas devido à sua capacidade de encontrar acontecimentos sobre os mais diversos temas, com uma facilidade incrível. À partida, “Steve” surge como um homem humilde, bom profissional, que relata a sua visão da profissão que exerce. Segundo ele, o jornalismo é um trabalho duro e intensivo, em que são os defeitos e as vacilações dos intervenientes que tornam um artigo interessante. Para Steve, O importante é o público-alvo, dando grande importância aos pormenores e revelando a necessidade de anotar tudo o que vê, tudo o que ouve.
Contudo, o desenrolar da história, vai desvendando o lado mais depreciativo de Stephen, desfazendo toda a personagem construída até então. O seu génio e profissionalismo aparente acabam por atraiçoa-lo. A sua carreira sólida desaba quando Adam Penenmberg, jornalista da revista on-line “Forbes Magazine”, põe em causa a veracidade de um dos seus artigos (Hacks Heaven). È um choque para todos, quando se descobre que 27 dos seus 41 artigos publicados foram inventados. A ambição desmedida de avançar na carreira, a busca de afirmação e sede de protagonismo levava “Steve” a imaginar histórias e personagens, criando artigos originais, lúdicos e entusiasmantes. E o ponto mais interessante de toda a história é quando nos apercebemos de que “Steve” é fascinado pelas suas próprias histórias, acreditando nelas e defendendo-as de forma obstinada e manipuladora, mesmo depois das suas mentiras serem descobertas. Embora o realizador não explore, explicitamente, a motivação para tais comportamentos, demonstra-nos a realidade por trás das aparências: as relações conturbadas que se vivem neste mundo, a procura da fama sem olhar a meios, a falta de espírito de equipa, o rigor e exigência desta profissão e o poder dos Media.
Na minha opinião, este filme é um excelente relato de um drama humano, que nos conduz a uma profunda reflexão sobre as responsabilidades inerentes à ética jornalística e à necessidade de uma perspectiva idealista, esclarecedora e cívica da parte dos jornalistas. Através das personagens temos a realidade sobre este mundo, e uma visão sobre determinadas práticas jornalísticas. È bastante perceptível a barreira marcada entre o que é certo e o que é errado. Leva-nos a concluir que o querer avançar, o querer ser melhor, pode trair-nos se não soubermos fazê-lo de uma maneira honesta, adequada a esta profissão, como o dever de confrontar todos os dados com a realidade, confirmar fontes, entre outras práticas. Fica ainda a certeza, através deste filme, de que a verdade é a única credibilidade admitida neste mundo e a melhor maneira para se ser um bom profissional e alcançar os nossos objectivos.
Baseado em factos reais, “Verdade ou Mentira”, relata-nos a história de Stephen Glass, um jovem de 26 anos, que entrou como estagiário para uma conceituada revista - “The New Republic”- e que rapidamente se tornou num excelente cronista, admirado por todos os colegas devido à sua capacidade de encontrar acontecimentos sobre os mais diversos temas, com uma facilidade incrível. À partida, “Steve” surge como um homem humilde, bom profissional, que relata a sua visão da profissão que exerce. Segundo ele, o jornalismo é um trabalho duro e intensivo, em que são os defeitos e as vacilações dos intervenientes que tornam um artigo interessante. Para Steve, O importante é o público-alvo, dando grande importância aos pormenores e revelando a necessidade de anotar tudo o que vê, tudo o que ouve.
Contudo, o desenrolar da história, vai desvendando o lado mais depreciativo de Stephen, desfazendo toda a personagem construída até então. O seu génio e profissionalismo aparente acabam por atraiçoa-lo. A sua carreira sólida desaba quando Adam Penenmberg, jornalista da revista on-line “Forbes Magazine”, põe em causa a veracidade de um dos seus artigos (Hacks Heaven). È um choque para todos, quando se descobre que 27 dos seus 41 artigos publicados foram inventados. A ambição desmedida de avançar na carreira, a busca de afirmação e sede de protagonismo levava “Steve” a imaginar histórias e personagens, criando artigos originais, lúdicos e entusiasmantes. E o ponto mais interessante de toda a história é quando nos apercebemos de que “Steve” é fascinado pelas suas próprias histórias, acreditando nelas e defendendo-as de forma obstinada e manipuladora, mesmo depois das suas mentiras serem descobertas. Embora o realizador não explore, explicitamente, a motivação para tais comportamentos, demonstra-nos a realidade por trás das aparências: as relações conturbadas que se vivem neste mundo, a procura da fama sem olhar a meios, a falta de espírito de equipa, o rigor e exigência desta profissão e o poder dos Media.
Na minha opinião, este filme é um excelente relato de um drama humano, que nos conduz a uma profunda reflexão sobre as responsabilidades inerentes à ética jornalística e à necessidade de uma perspectiva idealista, esclarecedora e cívica da parte dos jornalistas. Através das personagens temos a realidade sobre este mundo, e uma visão sobre determinadas práticas jornalísticas. È bastante perceptível a barreira marcada entre o que é certo e o que é errado. Leva-nos a concluir que o querer avançar, o querer ser melhor, pode trair-nos se não soubermos fazê-lo de uma maneira honesta, adequada a esta profissão, como o dever de confrontar todos os dados com a realidade, confirmar fontes, entre outras práticas. Fica ainda a certeza, através deste filme, de que a verdade é a única credibilidade admitida neste mundo e a melhor maneira para se ser um bom profissional e alcançar os nossos objectivos.
Em trabalho - 8ª Colina
http://www.escs.ipl.pt/pdfs/8colina/8col7.pdf
Página 29 - 30 : Entrevista à jornalista Ana Leal, jornalista da TVI
Página 29 - 30 : Entrevista à jornalista Ana Leal, jornalista da TVI
“E os dedos dançam na ponta da página…”

Filipa Martins
Elogio do Passeio Público
Guimarães, 2008
149 Páginas
15€
****
Inteligência é talvez a palavra que melhor define Elogio do Passeio Público. É de uma maneira criativa e extremamente inteligente que a autora, Filipa Martins, retrata as limitações do ser humano.
A obra contém uma receita que prende a atenção do leitor do inicio ao fim: uma dose de bom humor, uma pitada de exagero e q.b. de dificuldade.
Em Elogio do Passeio Público, com uma acção decorrida em “passeios e ruas olisiponenses, onde as senhoras virtuosas passeiam as cadelas e o resto passeia a fome” - (p.17), é-nos mostrado que «a vida é uma história com muitos alçapões» - (p.133), retratando-se a condição humana e a maneira como as pessoas, ao saírem de suas casas, pretendem que os outros olhem para elas da melhor maneira criando, por vezes, personagens aos olhos dos outros, uma espécie de vida dupla. Assistimos, assim, à criação de um “nosso homem”, que querendo ser bom em alguma coisa, criava uma fachada para a sua preguiça. Encontramos uma Aurora que é Consuelo, uma mulher da moda, de virtudes aparentes durante o dia, mas que durante a noite se transforma num mero objecto para satisfazer os desejos carnais de “generais e tenentes” e de outros “nosso homem”, talvez devido ao que o narrador chama de “inaceitabilidade do seu EU”.
A utilização de “personagens-tipo” confere à obra um carácter social, em que cada uma representa uma classe de uma época particular - o Estado Novo. Um general cujas capacidades eram maiores que as do país, cujas ideias e visões estavam mais à frente da altura; um “pai do nosso homem” que criticava a ditadura mas vivia às custas deste regime e que acreditava que nesta vida “nada se faz com se faz favores”; a peixeira, a Velha Castiça e tantos outros…
Não se espante, caro leitor, com a denominação das personagens. Pergunta-me pelos seus nomes? Pois nem eu o sei! E este é um dos pontos mais curiosos do livro: a inominação das personagens, que nos remete, de certa forma, para o panorama social da altura em que as pessoas viam o seu estatuto de “ser humano” reduzido.
Outros dos aspectos que, na obra, despertam o interesse do leitor é o facto de o narrador nunca terminar um episódio, deixando-o em suspense e retomando-o mais à frente, revelando o seu contexto. Isto faz com que o leitor só no fim, reconstruindo toda a história, se aperceba dos factos e das ligações existentes.
Elogio do Passeio Público é, sem dúvida, uma excelente representação (um tanto ou quanto disfarçada) da postura ditatorial existente e da vida no Estado Novo. Através das personagens, o narrador (cuja presença vai sendo mais demarcada e mais notória ao longo do livro) estabelece uma relação entre os comportamentos e as vivências neste regime repressivo. Apercebemo-nos da tristeza e desespero que o país atravessava – «uma camada feita de pequenez do pensar e de tristeza farta, que quase chega a ter em si uma beleza própria daqueles que aceitam um certo grau de desespero. A beleza dos tristes.», P.27-; uma sensação de inconformismo face à situação vivida e de admiração por quem tinha estado “lá fora”; a Puritanidade (quase que ridícula) que transformava Portugal num país de virtudes aparentes, de prazeres e desejos escondidos - «Dentro do hábito, deliciava-se com as partes proibidas de livros (…) com textos inapropriados à sua condição religiosa.» - P.41; e ainda um patriotismo exacerbado e a necessidade de uma constante exaltação do nacionalismo: o lema dos “soldados” era «nós amamos a nossa pátria», a “Portuguesa” estava sempre a passar na rádio “desde que o sol se põe, até que o galo canta”…
Também a Censura e o Controle exercidos têm um papel relevante no desenrolar da obra – encontramos o exemplo da lista de livros proibidos e a cómica e bem-humorada descrição das “substituições arcaicas e automáticas” que provocavam grandes gargalhadas nas tabernas «Em Lisboa só se publicavam cantos gregorianos e histórias de fazer oó (…) e romances de cordel com emendas, onde as “relações sexuais” dão lugar ao “coito”…» - P.25; e ainda o exemplo do controle da PIDE (apelidada de “as toupeiras”) em relação aos isqueiros.
Outro dos assuntos bastante interessantes é o valor, representação e papel da mulher na sociedade. Vemos que as mulheres eram, um tanto ou quanto, reduzidas na sua condição humana em que «a aparência é importante. (…) os homens não gostam do lado de galinácea das mulheres (…) Acene muito (…) junte um pouco mais os braços para realçar o decote.» -P.66. Vemos as mulheres como que transformadas em objectos perante os homens (e lembremo-nos que nesta altura existia o conceito de que o chefe de família era o Homem) que serviam para concordar com eles e lhes dar prazer. Temos a personagem da Consuelo ( que é Aurora) como exemplo desta situação.
O religiosismo é também frequentemente satirizado descrevendo-se as crentes como «envoltas em xailes negros e de catecismo e terço na mão» - P.18. Outra descrição extremamente bem conseguida, é o caso das viúvas, caracterizadas como “uma comunidade de formigas em carreiros”, sempre vestidas de preto com os seus rituais e comportamentos tão próprios.
Nesta obra as vidas são como que expostas no “passeio público”, revelando os defeitos e qualidades dos “seres humanos”, levando-nos, inevitavelmente, a rever-nos em algumas destas personagens. A complexidade da escrita (marcadamente e inesperadamente masculina) leva-nos muitas vezes a ter vontade de fechar o livro, parar para respirar e assimilar tudo o que já foi lido, mas a perspicácia da descrição e da apresentação da história leva-nos, também, de imediato a retomar a leitura e, como que a devorar a obra, querer chegar ao fim para completar a trama e terminar o puzzle. Mas, caro leitor, no fim fica uma certeza: definitivamente, “os dedos dançam na ponta da página”.
A obra contém uma receita que prende a atenção do leitor do inicio ao fim: uma dose de bom humor, uma pitada de exagero e q.b. de dificuldade.
Em Elogio do Passeio Público, com uma acção decorrida em “passeios e ruas olisiponenses, onde as senhoras virtuosas passeiam as cadelas e o resto passeia a fome” - (p.17), é-nos mostrado que «a vida é uma história com muitos alçapões» - (p.133), retratando-se a condição humana e a maneira como as pessoas, ao saírem de suas casas, pretendem que os outros olhem para elas da melhor maneira criando, por vezes, personagens aos olhos dos outros, uma espécie de vida dupla. Assistimos, assim, à criação de um “nosso homem”, que querendo ser bom em alguma coisa, criava uma fachada para a sua preguiça. Encontramos uma Aurora que é Consuelo, uma mulher da moda, de virtudes aparentes durante o dia, mas que durante a noite se transforma num mero objecto para satisfazer os desejos carnais de “generais e tenentes” e de outros “nosso homem”, talvez devido ao que o narrador chama de “inaceitabilidade do seu EU”.
A utilização de “personagens-tipo” confere à obra um carácter social, em que cada uma representa uma classe de uma época particular - o Estado Novo. Um general cujas capacidades eram maiores que as do país, cujas ideias e visões estavam mais à frente da altura; um “pai do nosso homem” que criticava a ditadura mas vivia às custas deste regime e que acreditava que nesta vida “nada se faz com se faz favores”; a peixeira, a Velha Castiça e tantos outros…
Não se espante, caro leitor, com a denominação das personagens. Pergunta-me pelos seus nomes? Pois nem eu o sei! E este é um dos pontos mais curiosos do livro: a inominação das personagens, que nos remete, de certa forma, para o panorama social da altura em que as pessoas viam o seu estatuto de “ser humano” reduzido.
Outros dos aspectos que, na obra, despertam o interesse do leitor é o facto de o narrador nunca terminar um episódio, deixando-o em suspense e retomando-o mais à frente, revelando o seu contexto. Isto faz com que o leitor só no fim, reconstruindo toda a história, se aperceba dos factos e das ligações existentes.
Elogio do Passeio Público é, sem dúvida, uma excelente representação (um tanto ou quanto disfarçada) da postura ditatorial existente e da vida no Estado Novo. Através das personagens, o narrador (cuja presença vai sendo mais demarcada e mais notória ao longo do livro) estabelece uma relação entre os comportamentos e as vivências neste regime repressivo. Apercebemo-nos da tristeza e desespero que o país atravessava – «uma camada feita de pequenez do pensar e de tristeza farta, que quase chega a ter em si uma beleza própria daqueles que aceitam um certo grau de desespero. A beleza dos tristes.», P.27-; uma sensação de inconformismo face à situação vivida e de admiração por quem tinha estado “lá fora”; a Puritanidade (quase que ridícula) que transformava Portugal num país de virtudes aparentes, de prazeres e desejos escondidos - «Dentro do hábito, deliciava-se com as partes proibidas de livros (…) com textos inapropriados à sua condição religiosa.» - P.41; e ainda um patriotismo exacerbado e a necessidade de uma constante exaltação do nacionalismo: o lema dos “soldados” era «nós amamos a nossa pátria», a “Portuguesa” estava sempre a passar na rádio “desde que o sol se põe, até que o galo canta”…
Também a Censura e o Controle exercidos têm um papel relevante no desenrolar da obra – encontramos o exemplo da lista de livros proibidos e a cómica e bem-humorada descrição das “substituições arcaicas e automáticas” que provocavam grandes gargalhadas nas tabernas «Em Lisboa só se publicavam cantos gregorianos e histórias de fazer oó (…) e romances de cordel com emendas, onde as “relações sexuais” dão lugar ao “coito”…» - P.25; e ainda o exemplo do controle da PIDE (apelidada de “as toupeiras”) em relação aos isqueiros.
Outro dos assuntos bastante interessantes é o valor, representação e papel da mulher na sociedade. Vemos que as mulheres eram, um tanto ou quanto, reduzidas na sua condição humana em que «a aparência é importante. (…) os homens não gostam do lado de galinácea das mulheres (…) Acene muito (…) junte um pouco mais os braços para realçar o decote.» -P.66. Vemos as mulheres como que transformadas em objectos perante os homens (e lembremo-nos que nesta altura existia o conceito de que o chefe de família era o Homem) que serviam para concordar com eles e lhes dar prazer. Temos a personagem da Consuelo ( que é Aurora) como exemplo desta situação.
O religiosismo é também frequentemente satirizado descrevendo-se as crentes como «envoltas em xailes negros e de catecismo e terço na mão» - P.18. Outra descrição extremamente bem conseguida, é o caso das viúvas, caracterizadas como “uma comunidade de formigas em carreiros”, sempre vestidas de preto com os seus rituais e comportamentos tão próprios.
Nesta obra as vidas são como que expostas no “passeio público”, revelando os defeitos e qualidades dos “seres humanos”, levando-nos, inevitavelmente, a rever-nos em algumas destas personagens. A complexidade da escrita (marcadamente e inesperadamente masculina) leva-nos muitas vezes a ter vontade de fechar o livro, parar para respirar e assimilar tudo o que já foi lido, mas a perspicácia da descrição e da apresentação da história leva-nos, também, de imediato a retomar a leitura e, como que a devorar a obra, querer chegar ao fim para completar a trama e terminar o puzzle. Mas, caro leitor, no fim fica uma certeza: definitivamente, “os dedos dançam na ponta da página”.
a minha alma
“… demorei muito tempo a perceber onde me sentia feliz. É incrível como o medo, essa força misteriosa que nos rouba a alegria, nos impede de ver a realidade, tira-nos o discernimento, tira-nos a capacidade de sermos felizes. Durante muito tempo tive medo…não tive coragem de olhar em frente, de deixar para trás o passado e passar por cima das desilusões. Não sabia por onde ir, que caminho escolher, o que fazer…
Posso dizer que tenho os melhores amigos do mundo, que me ajudam a levantar cada vez que caio (e acreditem que estou constantemente a tropeçar nas pedras que a vida me vai deixando ao longo do caminho…em vez de as apanhar ou de saltar por cima, deixo-me ir e o resultado por vezes é desastroso…alguns arranhões…muitas feridas… mas os amigos, esses, estão sempre lá para me ajudar); amigos que me ajudam a escolher os caminhos mais correctos; amigos que me mostram os meus talentos, que me sobem a auto-estima, que me dão conselhos até altas horas da madrugada; amigos que estão sempre lá; enfim… amigos que, acima de tudo, me ajudam a crescer.
Com eles, aprendi que somos nós, com os nossos passos, que fazemos o nosso próprio caminho. Há aqueles que correm demasiado depressa e se perdem; há quem se arrisque por atalhos; há quem deixe marcas no caminho para poder voltar atrás…
…agora percebo que cada um de nós tem o seu destino nas mãos e somos nós (e só nós) os responsáveis pelo que nos acontece. Não podemos deixar-nos prender pelo passado. O passado fica no passado! Seja bom ou mau, é passado! É óbvio que as experiências vividas e as recordações que ficam são importantes para o nosso desenvolvimento enquanto seres humanos, e o “Ontem” é algo que nos molda, que nos dá forma…sem o “Ontem” jamais haveria “Amanhã”…mas aprendi que, apesar de tudo, a vida é o presente…e mais, a vida é o Futuro!
Devemos ser mais fortes que todos os nossos medos, que todos os erros, que todas as desilusões…temos de ser! O caminho é sempre em frente...o que ficou para trás ficou…a vida é um instante mínimo…a nossa existência é tão curta, que as decisões são tomadas num piscar de olhos… ou agarramos nas coisas e as transportamos connosco para o “Amanhã”, ou elas perdem-se no Passado…e o sentido de continuidade de algo não é mais que o transportar esse algo, do “Ontem” para o “Agora” e do “ Agora” para o “Amanhã”. O medo é daqueles “algo” que não queremos, nem devemos, transportar no tempo…deve ficar sempre no passado e só quando isso acontece é que o ser humano conhece a verdadeira realidade e pode atingir a felicidade. E só agora pude perceber isso...levei tempo a desprender-me do passado… a deixar o “Ontem” e a olhar em frente, a descobrir que existem coisas mais belas na vida….demorei muito tempo a perceber onde me sentia feliz….”
Posso dizer que tenho os melhores amigos do mundo, que me ajudam a levantar cada vez que caio (e acreditem que estou constantemente a tropeçar nas pedras que a vida me vai deixando ao longo do caminho…em vez de as apanhar ou de saltar por cima, deixo-me ir e o resultado por vezes é desastroso…alguns arranhões…muitas feridas… mas os amigos, esses, estão sempre lá para me ajudar); amigos que me ajudam a escolher os caminhos mais correctos; amigos que me mostram os meus talentos, que me sobem a auto-estima, que me dão conselhos até altas horas da madrugada; amigos que estão sempre lá; enfim… amigos que, acima de tudo, me ajudam a crescer.
Com eles, aprendi que somos nós, com os nossos passos, que fazemos o nosso próprio caminho. Há aqueles que correm demasiado depressa e se perdem; há quem se arrisque por atalhos; há quem deixe marcas no caminho para poder voltar atrás…
…agora percebo que cada um de nós tem o seu destino nas mãos e somos nós (e só nós) os responsáveis pelo que nos acontece. Não podemos deixar-nos prender pelo passado. O passado fica no passado! Seja bom ou mau, é passado! É óbvio que as experiências vividas e as recordações que ficam são importantes para o nosso desenvolvimento enquanto seres humanos, e o “Ontem” é algo que nos molda, que nos dá forma…sem o “Ontem” jamais haveria “Amanhã”…mas aprendi que, apesar de tudo, a vida é o presente…e mais, a vida é o Futuro!
Devemos ser mais fortes que todos os nossos medos, que todos os erros, que todas as desilusões…temos de ser! O caminho é sempre em frente...o que ficou para trás ficou…a vida é um instante mínimo…a nossa existência é tão curta, que as decisões são tomadas num piscar de olhos… ou agarramos nas coisas e as transportamos connosco para o “Amanhã”, ou elas perdem-se no Passado…e o sentido de continuidade de algo não é mais que o transportar esse algo, do “Ontem” para o “Agora” e do “ Agora” para o “Amanhã”. O medo é daqueles “algo” que não queremos, nem devemos, transportar no tempo…deve ficar sempre no passado e só quando isso acontece é que o ser humano conhece a verdadeira realidade e pode atingir a felicidade. E só agora pude perceber isso...levei tempo a desprender-me do passado… a deixar o “Ontem” e a olhar em frente, a descobrir que existem coisas mais belas na vida….demorei muito tempo a perceber onde me sentia feliz….”
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